UNINDO FORÇAS, PRESERVANDO FUNDAMENTOS E CONSTRUINDO O AMANHÃ
- Federação Afro Brasil

- 11 de jun.
- 3 min de leitura

MAIS QUE MEMÓRIA, UM PROJETO DE FUTURO: O QUE O RECENTE ENCONTRO NACIONAL DEIXOU DE LIÇÃO PARA O SEU TERREIRO?
Mas existe uma pergunta que ecoou com força durante o IV ÉGBÈ – Encontro Nacional das Culturas dos Povos de Matriz Africana, realizado no início de junho e que reuniu lideranças de diversas partes do Brasil e do mundo:
O que estamos fazendo hoje para transformar nossa ancestralidade em um projeto de futuro?
Como destacou a liderança Macaé Evaristo durante o encontro, ancestralidade não é apenas memória. É compromisso. As águas continuam correndo, os tempos continuam mudando e o nosso povo continua produzindo história.

Um retrato da realidade dos terreiros
Os dados apresentados durante o evento são preocupantes, um levantamento nacional revelou que cerca de 80% dos terreiros brasileiros possuem integrantes que já sofreram diretamente algum tipo de racismo religioso.
Isso significa que oito em cada dez comunidades tradicionais carregam as marcas do preconceito e da intolerância. Diante dessa realidade, a resposta não pode ser o isolamento.
Não é mais possível que cada terreiro permaneça fechado em sua própria realidade, acreditando que os problemas enfrentados por uma casa não afetam as demais. O momento exige união, organização e fortalecimento coletivo.
Ègbé: a força da comunidade
A palavra que ganhou destaque durante o encontro foi Ègbé. No idioma Yorubá, Ègbé. representa comunidade, pertencimento, família e caminhada coletiva. É a certeza de que nenhum de nós está sozinho.
O verdadeiro poder ancestral que herdamos não está apenas nos conhecimentos preservados dentro dos terreiros, mas também na nossa capacidade de construir redes de apoio, fortalecer instituições e agir coletivamente em defesa dos nossos direitos.
É o espírito do Pan-africanismo vivo, pulsando dentro das nossas comunidades.

O protagonismo das mulheres do Axé
Dentro dessa construção, é impossível não reverenciar aquelas que historicamente sustentaram o Axé mesmo nos momentos mais difíceis: as nossas mulheres.
As Yalorixás, Ekedys, Makotas, mães e filhas de santo são guardiãs da tradição, da cultura, da espiritualidade e da resistência.
Como destacou a respeitada Makota Celinha Gonçalves durante o encontro:
"O poder é muito bom, mas ele precisa existir com sabedoria."
Poucas pessoas conhecem tão profundamente a sabedoria do acolhimento, da escuta, da cura e da resistência quanto as mulheres que sustentam nossos terreiros.

Ocupar espaços é fortalecer o futuro
A Federação Afro Brasil levanta essa bandeira para reafirmar uma necessidade urgente: Precisamos ocupar espaços. O povo de terreiro precisa participar das decisões que influenciam o presente e o futuro do nosso país.
Precisamos ampliar a presença de mulheres negras nos espaços de poder, fortalecer a consciência cidadã dentro das comunidades tradicionais e construir mecanismos permanentes de proteção, apoio e representação para os povos de matriz africana. Se o racismo religioso tenta desorganizar nossas comunidades e apagar nossa história, a nossa resposta precisa ser coletiva. Fortalecer um terreiro é fortalecer todo o povo de Axé.
Quando uma casa se regulariza, conquista respeito institucional, conhece seus direitos e amplia sua atuação social, toda a comunidade avança junto.
A ancestralidade constrói o amanhã
O poder ancestral não ficou preso ao passado. Ele está vivo agora. Está nas suas mãos.
Na forma como você cuida dos seus irmãos de fé. Na maneira como protege seu pavilhão, preserva seus fundamentos e fortalece sua comunidade está na coragem de afirmar, todos os dias, que os povos de matriz africana não representam apenas uma herança cultural representam também uma força viva, presente e indispensável para a construção do futuro do Brasil.
Vamos caminhar juntos? O Ègbé continua existindo, e a nossa memória está pronta para construir o amanhã.

Unindo forças, preservando fundamentos e construindo o amanhã.

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