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21 DE JANEIRO: NÃO É FESTA, É QUILOMBO!

Um Grito de Alerta sobre o Racismo Religioso e a Urgência da Unidade

O calendário marca 21 de janeiro como o "Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa". Mas, para nós, que vivemos o cotidiano dos terreiros, o nome é outro: é dia de memória e de luta contra o racismo religioso. Não há balões, não há sorrisos de celebração. Enquanto houver um terreiro sendo invadido, um sacerdote sendo insultado ou uma criança sendo hostilizada na escola por usar suas contas, não temos o que comemorar.

Este dia nasceu do sangue e da dor de Mãe Gilda de Ogum, vilipendiada pelo ódio. Décadas depois, o cenário que enfrentamos exige mais do que lamentações; exige consciência, corporativismo e ação política. A Realidade Crua: O Alvo tem Cor e Raça As estatísticas não mentem, mas a linguagem muitas vezes mascara a verdade. O que o Brasil chama de "intolerância" é, na verdade, racismo estrutural direcionado ao sagrado. * Mais de 60% dos ataques religiosos no país são contra as matrizes africanas.

O ódio não é contra a "fé" em abstrato; o ódio é contra a ancestralidade negra, contra o tambor que ecoa a liberdade e contra o conhecimento que não se curva ao colonizador. O Diagnóstico da Nossa Fraqueza: O Isolamento Por que ainda somos alvos tão fáceis? A resposta é dura, mas necessária: falta-nos unidade institucional. Durante muito tempo, cada terreiro foi uma ilha. Mas o tempo das ilhas acabou. O isolamento nos deixa expostos à perseguição jurídica, à falta de representatividade legislativa e à asfixia administrativa. A falta de consciência sobre a necessidade de estar ligado a uma instituição de classe uma Federação que fale por todos é o que nos enfraquece. Quando um terreiro está sozinho, ele é um alvo. Quando ele está federado, ele é parte de um corpo jurídico, político e social que não pode ser ignorado.


A intolerância religiosa não nasce do nada. Ela é construída pela desinformação, pelo preconceito histórico e pela recusa em reconhecer o direito do outro de existir com sua fé. No Brasil, esse tipo de violência atinge, majoritariamente, as religiões de matriz africana, revelando que o problema não é apenas religioso, mas profundamente racial e estrutural. Respeitar a do outro é respeitar a Constituição, a democracia e a dignidade humana. Fim do Amadorismo: O terreiro precisa de estatuto, CNPJ e imunidade tributária. A lei é uma ferramenta de defesa, e precisamos saber usá-la. Precisamos consumir dos nossos. Votar nos nossos. A representatividade política não é um luxo, é uma questão de sobrevivência para que nossas leis não sejam escritas por quem quer nos extinguir. Denúncia sem Medo: O crime de racismo agora é inafiançável e imprescritível. Cada ofensa deve ser transformada em Boletim de Ocorrência. O silêncio é o combustível do agressor.

Conclusão: Unir para não Sucumbir

Neste 21 de janeiro, nosso recado é claro: O Axé não vai recuar. Mas para avançar, precisamos de ordem, de organização e de uma federação forte que sirva de escudo e lança. Não aceite ser invisível. Não aceite o rótulo de "folclore". Nós somos religião, somos cultura e somos a base deste país. O tempo de apenas resistir passou; agora é tempo de ocupar, de cobrar e de se unir sob uma só bandeira de proteção.

Conscientize-se. Organize-se. Federe-se. A luta é agora!


Publicado por: Conselho Editorial - Federação Afro Brasil

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